Desconto nas refeições para quem fez redução de estômago gera polêmica

Desconto nas refeições para quem fez redução de estômago gera polêmica

Objetivo da lei é tornar preço da alimentação mais justo

Leia tudo

Apesar da suspensão da Lei Estadual nº 16.270/16, que obriga os restaurantes à la carte, rodízio ou festival a dar descontos de 30% a 50% para quem tenha realizado cirurgia bariátrica ou qualquer outra gastroplastia, o assunto ainda é tema de debates e discordâncias.

Especialistas e pacientes são favoráveis à medida, uma vez que comprovadamente o apetite de uma pessoa operada é menor ao de que não tenha passado pelo procedimento.

“A lei é bastante válida porque a grande maioria dos pacientes submetidos à cirurgia tem restrição alimentar e consegue comer aproximadamente um terço do que os outros ingerem de alimento”, diz Joaquim Alves Guimarães Neto, médico cirurgião do aparelho digestivo e cirurgião bariátrico.

O médico explica que com a redução do estômago, o paciente perde a capacidade de armazenamento de comida, que é o que faz as pessoas engordarem. “Eles precisam comer mais vezes ao dia e em menor quantidade. Se passarem um pouco do limite passam mal. Podem vomitar e ter muita tosse, por exemplo”.

O consultor Leduar Eduardo dos Reis realizou a cirurgia bariátrica e concorda com a lei. Ele espera que a liminar que suspende a medida seja derrubada.

“A ideia é muito interessante pois quem fez bariátrica come muito pouco, entre 10% a 20% do que é consumido por uma pessoa normal”. Ele conta que há dois anos pesava 141,5 quilos e hoje, aos 53 anos, está com 88.

“Fiz a cirurgia por uma questão de saúde. Era hipertenso, não tinha mais forças e não saia na rua por depressão”.

Logo após o procedimento, ele retomou a vida que tinha antes de engordar, mas apareceram outros problemas, como ter que pagar igual a todos por um consumo muito inferior. Situação que, segundo ele, restringe a socialização com amigos e familiares em almoços e jantares fora de casa.

“O cálculo dos comerciantes desses lugares deve ser baseado no consumo de pessoas normais, portanto se como menos, nada mais justo do que haver a diferença. Além disso, a medida é boa para o restaurante também, porque junto como o operado vão as famílias e o movimento aumenta”.

Não concorda

Por outro lado, o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SinHoRes) , Salvador Gonçalves Lopes, não concorda com a lei. Segundo ele, trata-se de mais uma ação eleitoreira e que prejudica o comerciante.

“Essa é mais uma obrigação dada aos donos de restaurantes. As leis são feitas, apenas, para desfavorecer os empresários dessa áreas. Pouco se importam se já existem muitos encargos. O legislativo não está para colaborar em um momento de crise”, diz.

O sindicalista reclama que todos os dias são criadas leis que dificultam o comercio e a sobrevivência dos negócios.

“É difícil, em um rodizio, você calcular o que cada cliente come. Imagina um funcionário ficar postado ao lado da mesa vendo o que as pessoas comem? Vai reprimir!”, diz ele, ao explicar que é complicada a mudança de rotina do estabelecimento.

“As pessoas que fazem essas leis não são operadas e não têm noção do que é ter uma porta aberta”, finaliza.


Operado em 2007, deputado perdeu 70 quilos
Autor da lei

O deputado estadual Wellington Moura (PRB), lamentou que a lei tenha sido suspensa por uma liminar movida pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e confia na procuradoria do estado para recorrer dessa decisão.

Ele aproveitou para explicar a importância da lei e esclarecer alguns pontos que possam ter causado dúvidas.

“O regulamento da lei determina que nos pratos à la carte as pessoas (operadas) terão um desconto de 30% a 50% de desconto, mas para os donos de restaurantes não serem prejudicados, o volume do prato poderá ser reduzido, por exemplo, de 500 gramas para 250 gramas”.

Nos restaurantes que servem rodízio ou festival ficam obrigados a conceder descontos de 50%.

O deputado ressalta que conhece muito bem as dificuldades de quem é operado. “Fiz a cirurgia bariátrica em 2007. Na época, pesava 170 quilos (hoje está com 100) e sei das dificuldades de quem passou pelo procedimento. A possibilidade de voltar a comer normal é muito pequena. Hoje como 20% do volume de antes”.

Moura conta que hoje não tem prazer em ir a um rodízio, pois se tornou algo caro perto do que come. Porém, ele entende que as pessoas têm o direito a ir aos locais sem que sejam financeiramente prejudicadas.

“Por muito tempo deixei de ir a restaurantes e essa lei é muito importante para a sociabilização e a reunião de famílias e amigos em restaurantes”.

Segundo ele, alguns estabelecimentos em São Paulo que se anteciparam a lei aumentaram o movimento. “Dizem que não são prejudicados porque diminuem o tamanho do prato e essas pessoas estão sempre com suas famílias”.

Desconto nas refeições para quem fez redução de estômago gera polêmica

Posts Relacionados