Greve chega ao fim, sufoco continua e passagem vai subir

Greve chega ao fim, sufoco continua e passagem vai subir

Após o fim da greve, a população continuou reclamando da demora dos ônibus do TranscolFoto: Fernando MadeiraA greve dos rodoviários chegou ao fim, mas a população continua no sufoco. Além de toda a f

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Após o fim da greve, a população continuou reclamando da demora dos ônibus do Transcol
Foto: Fernando Madeira

A greve dos rodoviários chegou ao fim, mas a população continua no sufoco. Além de toda a frota de ônibus não ter voltado a circular ontem, logo após o julgamento do dissídio que aumentou em 3% o salário dos trabalhadores, agora os usuários do transporte coletivo vivem a expectativa do reajuste no preço da passagem.

A definição sobre o novo valor da tarifa do Transcol sairá nos próximos dias e pelo menos um dado é certo: o aumento não chegará aos 15,97% - R$ 0,51 a mais no preço da passagem - conforme solicitado pelas empresas.

A Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) vai convocar hoje os membros do conselho tarifário para discutir o reajuste da passagem do Transcol. O índice, segundo o secretário Paulo Ruy Carnelli, será apresentado somente após a reunião. Mas ele adiantou que não será aplicado o percentual reivindicado pelas empresas. “Esse índice (15,97%) não tem cabimento. Está muito distante da atual realidade”, ressalta.

Nos cálculos para o reajuste, um dos componentes é o salário dos trabalhadores que, por decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), terão um aumento de 3% em sua remuneração. Paulo Ruy diz que o reajuste da tarifa será aplicado ainda em janeiro, considerando o que está previsto em contrato.

O secretário afirma que uma decisão sobre o valor da passagem somente não foi tomada anteriormente em razão da greve deflagrada pelos rodoviários. Em Vitória, a Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura (Setran) também vai convocar o conselho para definir o custo da passagem das linhas municipais.

A greve durou 16 dias, a mais longa dos últimos 20 anos, e somente foi suspensa após o julgamento do dissídio pelo TRT, embora nem todas as reivindicações da categoria tenham sido atendidas. No final da audiência, os desembargadores determinaram o fim imediato da paralisação.

Com o reajuste determinado pela Justiça, os motoristas, que recebiam R$ 2.164, passam a ganhar R$ 2.228. Já os cobradores, de R$ 1.125 agora ganharão R$ 1.158. Além disso, o tíquete-alimentação passa a R$ 704.

Sufoco

O fim da greve dos rodoviários, porém, não trouxe alívio para quem precisou de ônibus ontem. Em pontos lotados, os passageiros reclamaram muito da demora dos coletivos. Questionado pela reportagem, o presidente do sindicato, Edson Bastos, admitiu que não seria possível colocar 100% da frota na rua, como havia prometido.

“Podemos chegar a cerca de 80 a 90% da frota, entre outros fatores porque o dissídio terminou tarde e muitos funcionários não foram trabalhar. A diferença só vai ser sentida amanhã (hoje)”.

Para Franciele dos Santos, 30, a greve parecia estar começando ontem. A linha 528, que utiliza diariamente, passa a cada 10 minutos, mas ela já o esperava havia 30 minutos em uma fila interminável. (Com informações de Raquel Lopes e Rafael Barros)

SAIBA MAIS

Dissídio - reivindicações - O que pediam os trabalhadores

Reposição de 1,94% (inflação acumulada em 12 meses, até novembro de 2017) mais ganho real de 5%. Aumento de 11,4% no tíquete-alimentação. 100% dos custos do plano de saúde para a classe patronal

Empresas - o que estava na pauta dos empresários

1,83% de reajuste salarial Não ofereciam reajuste no tíquete-alimentação

O que a Justiça do trabalho decidiu

Índice único para a concessão dos benefícios 3% de reajuste salarial 3% de reajuste no tíquete-alimentação Aumento de 3% dos custos dos planos de saúde para a classe patronal

SINDICATO DIZ QUE RESULTADO FOI POSITIVO

Para o presidente do Sindirodoviários, Edson bastos, o resultado do julgamento que deu 3% de reajuste aos motoristas, foi positivo para a categoria. “Eu acho que aqui nós saímos vitoriosos mesmo em relação às cláusulas que estavam de acordo com a reforma trabalhista. Não entrou nada para a categoria. Nós mantivemos todas as cláusulas da convenção antiga.”

A Justiça do Trabalho também decidiu por um reajuste de 3% no plano de saúde para os empregadores. Os rodoviários pediam que a classe patronal assumisse integralmente esses gastos. Atualmente, segundo Edson Bastos, o plano familiar dos motoristas custa R$ 176 e o plano individual, R$ 70.

O patronato também pediu a compensação dos dias não trabalhados e o desconto salarial proporcional para quem não trabalhou durante a greve. No entanto, o TRT-ES rejeitou o pedido e decidiu não haverá descontos nem compensação das horas.

O Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) informou que não vai se manifestar sobre a decisão da Justiça do Trabalho.

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